Meditação – Como estar presente no momento presente pode influenciar na saúde e na produtividade

Inicialmente caracterizada como uma prática religiosa, a Meditação tem origem milenar. Presente em diversas culturas, a história da Meditação tem sido relacionada à história da própria humanidade. É dessa forma que o escritor Willard Johnson, autor do livro “Do xamanismo à Ciência, Uma História da Meditação” relata a prática. Apesar disso, muitos estudiosos datam a origem da Meditação há cerca de 1.000 a 1.500 a.C. (comparada à história da humanidade, extremamente recente) e era ligada a conexão com a divindade principalmente nas culturas chinesa e hindu.

A palavra meditar deriva do latim meditare, que significa ir para o centro, ou seja, voltar-se para dentro de si. Em outras culturas a palavra tem significados relacionados ao entendimento do eu interior. Todas essas designações caracterizam a Meditação de fato como uma técnica poderosa de aprimoramento do autoconhecimento. Atualmente, a definição mais utilizada sobre Meditação é que consiste num exercício de observação do estado presente. Muitas pessoas acreditam que durante a Meditação realizamos o esvaziamento da mente, enquanto o que de fato ocorre é um estado de concentração através da respiração, por exemplo, ou até mesmo da observação dos pensamentos que podem invadir a mente e da consciência da existência dos mesmos.

Na vida agitada em que todos nós vivemos o desenvolvimento de depressão, estresse, ansiedade, compulsão e até mesmo problemas físicos relacionados a essa realidade como pressão alta, têm se tornado cada vez mais comuns. Tudo isso colabora para o esquecimento do eu interior, para o aprisionamento de pensamentos, desejos e perspectivas em busca da personalidade que as pessoas querem mostrar umas às outras. A nossa mente agitada passa quase todo o tempo em diálogos interiores dos quais nem tomamos consciência, avaliamos ou entendemos.

Através da Meditação é possível relaxar a mente de todas essas questões por meio da concentração. Para isso é necessário empregar um objeto de concentração, também conhecido como âncora, que pode ser a respiração, um mantra, uma visualização, um pensamento ou até mesmo um objeto físico.

Os benefícios do estado meditativo já são comprovados pela ciência. Através do equilíbrio da respiração ocorre a diminuição da frequência cardíaca e consequentemente da pressão arterial. Tudo isso promove o relaxamento da musculatura e baixa os níveis de cortisol, hormônio envolvido na resposta ao estresse. Existem diversos estudos que notaram a influência da Meditação na qualidade de vida das pessoas, principalmente em meditadores que praticam a longo prazo. Foi observada a melhoria da cognição, dos sintomas de depressão e em muitos casos houve remissão dos mesmos. Acredita-se inclusive que a Meditação tenha colaborado no tratamento de diversos pacientes com câncer.

Já quando falamos de ansiedade, os resultados tem se apresentado controversos, com benefícios inferiores quando comparados a outras doenças. A prática não é totalmente contraindicada, entretanto, recomenda-se que sempre haja supervisão, principalmente em pacientes com Transtorno de Ansiedade Generalizado já diagnosticado.

Tendo em vista o aumento da produtividade, empresas como o Facebook e Twitter, que já são conhecidas pelo ambiente de trabalho informal, adotaram a Meditação como parte da rotina de seus funcionários. Já no Google, Chade-Meng Tan, um engenheiro bem sucedido da empresa, foi o responsável por implantar a prática baseada no Mindfulness. O programa desenvolvido por ele, especialmente para equipes, conhecido como “Search Inside Yourself” fez tanto sucesso que logo se transformou em um dos livros mais vendidos da categoria.

Do termo “Atenção Plena” ou “Consciência Plena”, a Meditação Mindfulness surgiu no século XX e foi implantada no Brasil pelo físico irlandês Stephen Little. Tem sido aplicada com frequência no ambiente corporativo, visando o foco intencional nas tarefas do momento presente, ou seja, consiste em tirar a mente do piloto automático. Assim como a Mindfulness, existem diversos tipos de Meditação, que de modo geral, são divididas em dois tipos: Meditação de Calma que através de um objeto de meditação busca a construção de uma mente mais pacífica e focada, e a Meditação Contemplativa, voltada no desenvolvimento de características e qualidades internas como amor, compaixão e autoconhecimento.

As maiores dúvidas entre as pessoas que desejam se aprofundar no assunto são que tipo de Meditação escolher, como começar a meditar e principalmente como saber se a prática está sendo aplicada de forma correta. Quando falamos sobre o período de adaptação e de aprendizado, o tipo de Meditação não é algo tão relevante. O importante mesmo é começar. Existem aplicativos, podcasts e até vídeos de meditação guiada que ajudam a entender melhor sobre esse tema e a transformar pequenos minutos do seu dia em momentos únicos de conexão consigo, mesmo que não tenha experiência alguma. Em algumas cidades existem ainda grupos de Meditação Coletiva para que as pessoas que sintam a necessidade de praticar em conjunto.

Apesar da Meditação ser um assunto muito abordado atualmente a sua prática ainda é considerada baixa, enquanto o número de pessoas que tentou pelo menos uma vez na vida meditar e acabou desistindo é relativamente alto. Segundo o monge Gen Kelsang Togden, a Meditação assim como outras tarefas exige disciplina e persistência. Pode parecer algo estranho no começo, justamente por ser uma novidade para a sua mente permanecer em silêncio, porém desenvolver o hábito da observação de si mesmo pode promover clareza nas escolhas e melhoria notável da inteligência emocional para enfrentar os desafios que o cotidiano nos propõe. Apesar de conhecer os benefícios que a Meditação pode promover, o monge revela que é essencial entregar-se a prática sem julgamentos ou expectativas. Provavelmente isso tornará suas experiências cada vez mais surpreendentes.

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Autor

Instituto Ortomolecular

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